quarta-feira, 4 de março de 2026

Retrospectiva: "O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror" no CCBB SP



Uma mostra inédita dedicada a Sarah Moldoror, considerada uma das primeiras cineastas negras a filmar na África e por extensão a Mãe do Cinema Africano, acontece no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP), de 21 de fevereiro a 22 de março. Com entrada gratuita, a retrospectiva traz curtas e longas-metragens, que destacam o papel da cineasta franco-guadalupense na história dos cinemas negros e de mulheres.

Nascida na França, filha de pai guadalupense, Sarah Maldoror (1929-2020) foi uma figura central do cinema anticolonial. A cineasta construiu uma filmografia de mais de quarenta títulos que documentam e ficcionalizam as frentes de libertação em angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, além de tratarem de temas como a imigração, o engajamento político e o pensamento decolonial. Sua estética diferencia-se por fundir o rigor político á sensibilidade poética, dslocando o olhor para a subjetividade humana e, fundamentalmente, para o protagonismo feminino nas insurgências africanas.

Com curadoria conjunta de Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, a retrospectiva "O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror" no CCBB SP pode ser considerada uma das mais completas já realizadas sobre a cineasta no país. Sua programação conta com 34 obras, sendo 19 dirigidas por Sarah Maldoror e outras 15 assinadas por diferentes realizadores.

Serviço:
21 de fevereiro a 22 de março de 2026
Local: Cinema - 1º Andar
Classificação indicativa de acordo com o filme
Entrada Gratuita: Ingressos serão liberados às 9h da manhã para todos os eventos do dia na bilheteria do CCBB e em bb.com.br/cultura


Programação:
21/02 (sábado)
16h30 – Sessão de Abertura | Sambizanga, 97min (comentada por Henda Ducados)


22/02 (domingo)
14h30 – Monangambééé + Alma no olho, 29min (com participação de Henda Ducados)
17h – Sessão Carnaval (Fogo, uma ilha em chamas + Carnaval no Sahel + Em Bissau, o carnaval), 80min


23/02 (segunda)
17h30 - Prefácio a Fuzis para Banta, 28min (comentada por Lúcia Monteiro e Henda Ducados)
19h – Sessão Poesia em Movimento (Louis Aragon, uma máscara em Paris + René Depestre, poeta haitiano + Léon G. Damas), 50min


25/02 (quarta)
17h - Aimé Césaire, um homem, uma terra, 52min (comentada por Rita Chaves)


26/02 (quinta)
18h – Cais, 70min (sessão seguida de apresentação de Safira Moreira)


27/02 (sexta)
17h - E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras, 60min (comentada por Annouchka de Andrade)
19h - Leitura dramática de roteiro inédito da Sarah Maldoror, por Safira Moreira, 60min.


28/02 (sábado)
14h - O Hospital de Leningrado, 58min (conversa com Annouchka sobre roteiros de Sarah Maldoror)
16h – Sambizanga, 97min (comentada por Annouchka de Andrade)


01/03 (domingo)
14h30 - Sem Sol, 140min
16h30 – Sessão Sarah assistente: Elas + O Legado da Coruja, 48min


02/03 (segunda)
15h30 – Sessão Retratos de Mulheres, Retratos da Negritude (Abertura do Teatro Negro em Paris + Retrato de uma mulher africana + Christiane Diop + Primeiro Encontro Internacional das Mulheres Negras + Assia Djebar + Ana Mercedes Hoyos – Pintora + Louis Aragon – Uma máscara em Paris), 56min.
17h – Ôrí, 100min (debate com Raquel Gerber e Annouchka de Andrade)


04/03 (quarta)
18h – Monangambée + Alma no olho, 29min


05/03 (quinta)
16h - Sessão Carnaval (Fogo, uma Ilha em Chamas + Carnaval no Sahel + Em Bissau, o Carnaval - três curtas de Sarah Maldoror), 80min
17h45 - A Batalha de Argel, 121min


06/03 (sexta)
16h - Sessão Retratos de Mulheres, Retratos da Negritude (Abertura do Teatro Negro em Paris + Retrato de uma mulher africana + Christiane Diop + Primeiro Encontro Internacional das Mulheres Negras + Assia Djebar + Ana Mercedes Hoyos – Pintora + Louis Aragon – Uma máscara em Paris), 56min
17h30 - Sessão Curtas de Sara Gomez (Na outra ilha + Uma ilha para Miguel + Ilha do tesouro), 71min


07/03 (sábado)
16h - Sessão Poesia em Movimento (Louis Aragon, uma máscara em Paris + René Depestre, poeta haitiano + Léon G. Damas), 49min
17h30 - Aimé Césaire, um homem, uma terra, 57min


08/03 (domingo)
15h – Sambizanga, 97min
17h – Sessão Sarah Assistente (Elas + O Legado da Coruja), 48min


09/03 (segunda)
18h30 - Prefácio a Fuzis para Banta, 25min


11/03 (quarta)
18h – Ôrí, 100min


12/03 (quinta)
18h - Sessão Retratos de Mulheres, Retratos da Negritude (Abertura do Teatro Negro em Paris + Retrato de uma mulher africana + Christiane Diop + Primeiro Encontro Internacional das Mulheres Negras + Assia Djebar + Ana Mercedes Hoyos – Pintora + Louis Aragon – Uma máscara em Paris), 56min


13/03 (sexta)
16h - O Hospital de Leningrado, 59min


14/03 (sábado)
17h - E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras, com comentários de Nathanaël Arnould (INA-França), 60min


15/03 (domingo)
15h – Sessão Curtas de Sara Gomez (Na outra ilha + Uma ilha para Miguel + Ilha do tesouro, comentada por Nayla Guerra), 71min
17h30 - Monangambééé + Alma no olho, 29min


16/03 (segunda)
17h30 - Sem sol, 140min


18/03 (quarta)
16h30 - Batalha de Argel, 121min (comentada por Tina Beskow).


19/03 (quinta)
18h - E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras, 60min


20/03 (sexta)
18h30 - Uma sobremesa para Constance, 59min


21/03 (sábado)
15h - Sessão Curtas de Safira Moreira (Travessia + Nascente + Alágbedé + Da pele prata), 50min
16h - Prefácio a Fuzis para Banta, 25min


22/03 (domingo)
17h - Uma sobremesa para Constance, 59min


Sinopses
FILMES DE SARAH MALDOROR
Abertura do teatro negro em Paris
L'ouverture du théâtre noir à Paris, Sarah Maldoror, 1980, 6 min, França
Reportagem de Sarah Maldoror sobre um novo centro cultural de Paris, dedicado ao teatro negro.


Ana Mercedes Hoyos
Ana Mercedes Hoyos, Sarah Maldoror, 2009, 13 min, França/Colômbia
Documentário dedicado à pintora e escultora colombiana Ana Mercedes Hoyos. Atenta à multiculturalidade colombiana e em especial à presença negra e à história da escravidão na Colômbia, a artista desenvolveu uma relação especial com a população do Palenque de São Basílio, quilombo próximo de Cartagena, considerado o primeiro povo livre das Américas.


Assia Djebar
Assia Djebar, Sarah Maldoror, 1987, 7 min, França
Reportagem televisiva sobre a escritora argelina Assia Djebar, por ocasião do lançamento de seu livro "Sombra sultana". A autora reflete em voz alta sobre as mulheres no mundo árabe, sobre sua relação com o medo, o cerceamento no espaço doméstico e a esperança de ganhar a luz do exterior.


Aimé Césaire, a máscara das palavras
Aimé Césaire, the mask of words, Sarah Maldoror, 1987, 47 mi, Estados Unidos, Martinica
Dez anos após realizar seu primeiro filme em torno do poeta surrealista, dramaturgo, ativista e político martinicano Aimé Césaire, Sarah Maldoror volta a esta figura na ocasião em que recebe uma importante homenagem nos EUA. Ideólogo do conceito de "negritude", na entrevista que concede a Maldoror, Césaire fala de sua trajetória, reflete sobre história, colonialismo, preconceitos e sobre o papel da poesia.


Aimé Césaire - um homem, uma terra
Aimé Césaire - un homme une terre, Sarah Maldoror, 1976, 52 min, França, Martinica
Aimé Césaire foi surrealista, ensaísta, ativista e um dos fundadores do movimento da Negritude, uma corrente artística e política progressista que defendia a cultura negra, fortemente ligada a ideais marxistas e anticoloniais.


Carnaval no Sahel
Un carnaval dans le Sahel, Sarah Maldoror, 1979, 23 min, Cabo Verde
O Carnaval é um evento e uma festividade em que os limites podem ser transgredidos em um contexto repleto de música, sensações e texturas. Neste filme, ele é também o ponto de partida para uma abordagem sobre a história da cultura negra e do colonialismo, com conceitos de identidade e negritude ocupando o centro da cena.


Christiane Diop
Christiane Diop, Sarah Maldoror, 1985, 6 min, França
Reportagem dedicada a Christiane Diop, que comanda a livraria e editora Présence Africaine desde a morte de seu companheiro, Alioune Diop, em 1980. Fundada em 1947 como revista, a Présence Africaine logo expande suas atividades e se torna ponto de convergência de intelectuais negros vindos da África e das Antilhas.


E os cães se calavam
Et les chiens se taisaient, Sarah Maldoror, 1976, 13 min, França
Peça teatral cuja narrativa foca na rebelião de um homem contra a escravização de seu povo, filmada no interior do Musée de l'Homme, em Paris. Com atuações de Gabriel Glissant e Sarah Maldoror.


Em Bissau, o carnaval
Carnival en Guinée-Bissau, Sarah Maldoror, 1980, 13 minutos, Guiné-Bissau. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Um curta-metragem documental que aborda como os habitantes da Guiné-Bissau enxergam sua identidade e cultura negra, tendo como pano de fundo a celebração anual do Carnaval.


Fogo, uma ilha em chamas
Fogo, l'île de feu, Sarah Maldoror, 1979, 23 min, Cabo Verde, França
A Ilha do Fogo, em Cabo Verde, é o cenário deste documentário dos anos 70 produzido pelo governo revolucionário do novo país, no qual a diretora optou por uma abordagem antropológica. O filme lança um olhar belíssimo sobre uma nação no início de sua independência.


Léon G. Damas
Léon G. Damas, Sarah Maldoror, 1995, 24 min, França
Um curta sobre o cofundador da revista L'Étudiant Noir, que promoveu a conscientização cultural negra, colaborador da Présence Africaine, poeta, deputado guianense, representante da UNESCO e combatente da resistência francesa.


Louis Aragon, uma máscara em Paris
Un Masque à Paris: Louis Aragon, Sarah Maldoror, 1978, 13 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Sarah Maldoror entrevista, neste documentário, Louis Aragon, poeta e figura fundamental do surrealismo francês. Ao mesmo tempo, questiona a forma como o movimento surrealista – nos períodos entre e pós-guerra – encarou a questão racial, do “outro” e da afirmação de outras identidades.


Monangambééé
Monangambeee, Sarah Maldoror, 1968, 16 min, Angola
Os abusos dos traficantes de escravos portugueses em sua colônia de Angola são retratados por meio da tortura de um prisioneiro, fundamentada na ignorância e na incompreensão.


O hospital de Leningrado
L'hôpital de Leningrad, Sarah Maldoror, 1983, 58 min, França
Uma história de prisão política ambientada em um hospital psiquiátrico, onde a polícia estatal de Stalin colocava seus opositores. A narrativa é fiel ao texto original, um conto do escritor russo Victor Serge.


Primeiro encontro internacional das mulheres negras
Première rencontre internationale des femmes noires, Sarah Maldoror, 1986, 6 min, França
Reportagem sobre o encontro ocorrido em novembro de 1986, em Paris.


René Depestre, poeta haitiano
René Depestre, poète haïtien, Sarah Maldoror, 1981, 5 min, França
Pequeno documentário sobre René Depestre, poeta e antigo ativista comunista, umas das mais importantes figuras da literatura do Haiti.


Retrato de uma mulher africana
Portrait d'une femme africaine, Sarah Maldoror, 1985, 3 min, França
Reportagem televisia a respeito da imigração de senegaleses para a França. A cineasta acompanha uma jovem cozinheira senegalesa, que trabalha em um centro de acolhimento para trabalhadores estrangeiros.


Sambizanga
Sambizanga, Sarah Maldoror, 1972, 97 min, Angola, França Classificação: 14 anos.
Sinopse: Domingos é membro de um movimento de libertação africano, preso pela polícia secreta portuguesa, após eventos sangrentos em Angola. Ele não trai seus companheiros, mas é espancado até a morte na prisão, e sem saber que ele morreu, sua esposa percorre diversas prisões, tentando em vão descobrir o seu paradeiro.


Uma sobremesa para Constance
Un dessert pour Constance, Sarah Maldoror, 1981, 63 min, França
Nos anos 70, Bokolo e Mamadou, varredores na cidade de Paris, buscam uma maneira de custear o retorno para casa de um de seus companheiros doentes.


FILMES DE OUTROS CINEASTAS

CONSTELAÇÃO SARAH MALDOROR
Filmes em que Sarah Maldoror trabalhou como assistente ou que contêm imagens filmadas por ela


A batalha de Argel
La battaglia di Algeri, Gillo Pontecorvo, 1966, 121 min, Argélia e Itália
Nos anos 1950, o medo e a violência aumentam à medida que o povo da Argélia luta pela independência do governo francês. Sarah Maldoror foi assistente de Pontecorvo nas filmagens.


Elas
Elles, Ahmed Lallem, 1966, 22 min, Argélia
No período pós-independência, estudantes argelinas do ensino médio falam sobre suas vidas e comentam como vislumbram o futuro, a democracia e o seu lugar na sociedade. Sarah Maldoror foi assistente de Lallem nas filmagens.


Sem Sol
Sans soleil, Chris Marker, 1983, 104 min, França
Uma mulher narra os escritos contemplativos de um viajante do mundo experiente, com foco no Japão contemporâneo.

O legado da coruja - Episódio 7
L'héritage de la chouette - "Logomachie ou Les mots de la tribu", Chris Marker, 1990, 27 min, França
Cineastas ensaístas como Marker e Godard adoram jogos de palavras. Aqui, conforme as imagens mostram como vocábulos de origem grega permeiam a nossa mídia, as placas de rua e até mesmo os grafites, mergulhamos, sob uma perspectiva semiótica, nas bases da própria fala.


Prefácio a Fuzis para Banta
Préface à Des fusils pour Banta, Mathieu Kleyebe Abonnenc, 2011, 28 min, França
Uma elegia ao filme perdido de Sarah Maldoror, "Fuzis para Banta", filmado em 1970 na Guiné-Bissau, durante a guerra de independência e confiscado durante a montagem, na Argélia. Abonnenc estrutura seu filme em torno das fotografias de cena, das anotações do roteiro e de conversas com Sarah Maldoror.

GENEALOGIA IMAGINATIVA
Filmes que apresentam proximidade estética e política com a obra de Sarah Maldoror

Alma no olho
Alma no olho, Zózimo Bulbul, 1973, 11 min, Brasil
Metáfora sobre a escravidão e a busca pela liberdade por meio da transformação interna do ser, em um jogo de imagens de inspiração concretista.

Ôrí
Ôrí, Raquel Gerber, 1989, 100 min, Brasil
Um olhar sobre o movimento negro brasileiro entre 1977 e 1988, a partir da relação entre o Brasil e a África.

Cais
Cais, Safira Moreira, 2025, 70 min, Brasil
Dois meses após o falecimento de sua mãe Angélica, Safira viaja em busca de encontrá-la em outras paisagens. Num curso fluvial, o filme percorre cidades banhadas pelo Rio Paraguaçu, na Bahia, e pelo Rio Alegre, no Maranhão, para imergir em novas perspectivas sobre memória, tempo, nascimento, vida e morte.

Curtas de Safira Moreira

Travessia
Travessia, Safira Moreira, 2017, 5 min, Brasil Articulando poesia, arquivos fotográficos e encenação, Safira Moreira problematiza de forma poética a ausência ou dificuldade de permanência das imagens das pessoas negras.

Nascente
Nascente, Safira Moreira, 2020, 6 min, Brasil
Quatro mulheres e uma criança, reunidas em numa casa em Salvador, em agosto de 2020. Apesar das restrições pandêmicas, tudo ali flui como um rio correndo nas matas, em uma energia etérea e misteriosa.

Alágbedé
Alágbedé, Safira Moreira, 2021, 12 min, Brasil
Ogum, orixá yiorubá. Quando se manifesta sob o epíteto de Alágbedé, estão ressaltam-se suas habilidades com a forja, o fogo e os metais. Senhor das técnicas e das tecnologias – desceu à Terra para ensinar aos seres humanos a metalurgia.

Da pele prata
Da pele prata, Safira Moreira, 2025, 27 min
Neste filme dedicado aos seus pais, Angélica Moreira, pedagoga e idealizadora do Ajeum da Diáspora, e Chico da Prata, ourives especializado em joias com temática relacionada ao candomblé, Safira Moreira retoma, sob uma perspectiva diversa de Travessia (2017), a construção de um percurso breve, mas profundo, sobre a história da sua família.


Curtas de Sara Gómez

Ilha do tesouro
Isla del tesoro, Sara Gómez, 1969, 9 min, Cuba
Uma curta evocação poética de Sara Gómez sobre a Ilha de Pinos, a ilha onde Fidel Castro foi preso por Batista e onde a revolução constrói uma nova sociedade. O filme apresenta uma justaposição da prisão Presídio Modelo com a produção de cítricos.


Uma ilha para Miguel
Una isla para Miguel, Sara Gómez, 1968, 22 min, Cuba
Miguel, um de 12 filhos oriundos de um bairro pobre de Havana, é enviado pela família para a "Isla de Pinos", para se tornar um novo homem. Gómez aponta a sua câmara para este território, para onde os marginalizados (jovens, negros, pobres, homossexuais, religiosos, hippies) eram enviados para trabalho e reeducação forçados.

Na outra ilha
En la otra isla, Sara Gómez, 1968, 41 min, Cuba
Sara Gómez entrevista habitantes da Ilha da Juventude, em Cuba (então conhecida como Ilha de Pinos), capturando suas perspectivas sobre diversas questões sociais.


Serviço
Retrospectiva: "O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror" no CCBB/SP
Evento organizado por: Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
Endereço: R. Álvares Penteado, 112, entre metrô Anhangabaú, São Bento e Sé.
Telefone: +55 11 4297-0600
Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP - 01012-000.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

4×100 - Correndo por um Sonho - Brasil, 2021

 

4x100 - Correndo por um Sonho, é um filme brasileiro do gênero drama de 2021. Dirigido por Tomas Portella, o filme conta a história de uma equipe de atletas que perde uma disputa na final das Olímpiadas do Rio e agora têm a chance de voltar ao sucesso. É protagonizado por Thalita Carauta, Fernanda de Freitas, Priscila Steinman, Roberta Alonso e Cintia Rosa. No Brasil, foi lançado pela Imovision nos cinemas em 24 de junho de 2021.

Sinopse
A vida de uma equipe de atletas brasileiras é marcada por uma grande derrota na final olímpica da modalidade de revezamento 4x100 da Rio 2016. Após três anos do fracasso, Maria Lúcia (Fernanda de Freitas), a atleta responsável pela eliminação da equipe, continua sendo destaque no atletismo e brilhando na mídia. Enquanto isso, Adriana (Thalita Carauta), que trabalhou duro na competição, leva uma vida frustrada vivendo de pequenas lutas de MMA. Agora, em uma nova edição das Olímpiadas, em Tóquio, a equipe tem uma nova chance para reescrever essa história. Essa dupla terá que que conseguir deixar suas desavenças de lado e trabalhar em grupo.

Produção
A ideia de fazer um filme sobre atletas foi da atriz Roberta Alonso, a qual interpreta umas das atletas protagonistas, que levou até a produtora Gullane Filmes. O primeiro roteiro foi escrito por Caroline Fioratti e Carlos Cortez, que veio a falecer antes da estreia do filme.

As cenas de competições de atletismo foram gravadas entres as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Já as gravações da grande final foram feitas em Tóquio, por inspiração nas Olimpíadas de Tóquio de 2021. Ao todo, foram 4 dias de gravações na capital japonesa.

Thalita Carauta disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, ter se lesionado durante as gravações intensas de cenas de corrida. Ela afirma ter contado com o recurso de efeitos visuais.

Elenco
Ator/Atriz = Personagem
Thalita Carauta - Adriana Santos (Dri)
Fernanda de Freitas - Maria Lúcia Junqueira (Malu)
Cintia Rosa - Jaciara Souza (Jacirão)
Roberta Alonso - Rita Ferreira
Priscila Steinman - Beatriz Schneider (Bia)
Augusto Madeira - Victor Ferreira

Participações especiais
Zezé Motta - Dra. Bruna
Kauê Telloli - PD
Marat Descartes - Eduardo "Edu" Uchôa
Cláudio Jaborandy - Seu Zé

Elenco de Apoio
Bruno Bellarmino - Marcelinho
Maurício de Barros - Marquinhos
Caio Gullane - Apresentador do Talk Show
Won Gisele - Atleta
Willians Mezzacapa - Homem na balada
Leandro Cunha  - Diretor de uma campanha publicitária
Maria Helena Chira - Médica plantonista
Isa Esaudito - Filha de Rita
Samuel de Castro - Assaltante

Coprodução
Globo Filmes
Telecine Play
RAM
SPVILHENA

Lançamento
O filme tinha previsão de estreia para o segundo semestre de 2020, mas em razão do avanço da pandemia de COVID-19, teve que ter seu lançamento adiado. Em maio de 2021, foi anunciado que o filme iria aos cinemas em 24 de junho de 2021.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Sidney Santiago Kuanza, da Cia Os Crespos, apresenta monólogo inspirado em Lima Barreto

O monólogo integra uma trilogia intitulada "Masculinidade & Negritude", que leva o legado político, artístico e cultural de homens negros aos palcos. 

Por Giovanne Ramos.

No dia 11 de janeiro, Sidney Santiago Kuanza, multiartista brasileiro, apresentará seu novo solo, “A Solidão do Feio”, no Auditório do Sesc Pinheiros. O monólogo performático é uma obra autoral que explora a trajetória do renomado romancista carioca, Lima Barreto. As vendas já estão disponíveis no site.

O espetáculo, que tem início com um velório nas áreas externas da unidade, narra fragmentos não lineares da vida de Lima Barreto, percorrendo diferentes gêneros teatrais. Sidney Santiago, à frente da Cia Os Crespos, adota a perspectiva performática do teatro panfletário, dando a Lima Barreto uma nova face, um herói nacional.

Segundo Sidney Santiago, em nota para a imprensa, ao abordar Lima Barreto, o objetivo é recontar a história de um homem insubmisso, profundo pensador de seu tempo e país. A direção compartilhada com a atriz Gabi Costa visa ampliar a representação do autor para além da biografia convencional, que muitas vezes o limita à figura do homem negro e literato que enfrentou problemas com álcool e foi internado em um sanatório.

“A Solidão do Feio” é descrito como um diário aberto de possibilidades para a existência de Lima Barreto, oferecendo uma visão enriquecedora e multifacetada do renomado escritor.

Na peça, Lima Barreto é contado em primeira pessoa com suas certezas, contradições e seus sonhos de futuro. (Foto: Pedro Jackson/Divulgação)

O projeto

“A Solidão do Feio” faz parte de um projeto que se dedica aos estudos e reflexões sobre as masculinidades negras desde 2014. A pesquisa explora os impactos do racismo na psique, afetividade e subjetividade dos homens negros. 

Esse monólogo é uma peça integrante da trilogia “Masculinidade & Negritude”, que tem como propósito levar aos palcos o legado político, artístico e cultural de homens negros. Além de Lima Barreto, notável contribuidor para a literatura e jornalismo nacionais, a trilogia destaca figuras como João Francisco dos Santos (Madame Satã) e Benjamim de Oliveira.

SERVIÇO

“A Solidão do Feio”, com Sidney Santiago Kuanza (Cia Os Crespos)

Data: Temporada de 11 janeiro à 09 de fevereiro de 2024 (Dia 25/01 não haverá apresentação)

Local: Sesc Pinheiros – Auditório (3º andar) — R. Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo

Horário: Quinta à sábado, às 20h – Exceto Sexta-feira, 09/02, às 19h

Entrada: R$ 12 (credencial plena), R$ 20 (meia) R$ 40 (inteira)

GIOVANNE RAMOS: Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Fotos: Fredo Peixoto/Pedro Jackson/Divulgação

Fonte: Alma Preta


 

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Filme nacional coloca familias coloniais em ringue historico mental



Thriller ‘O Juízo’ faz um acerto de contas entre um negro escravizado e a família de seus algozes

Com roteiro de Fernanda Torres e direção de Andrucha Waddington, longa aposta no carma brasileiro da escravidão dentro do gênero suspense em uma fazenda mineira.

No Brasil, há muito terror a ser explorado. Faz todo o sentido, então, que um suspense tente ganhar espaço no cinema nacional tendo como pano de fundo o episódio mais horripilante da história do país: a escravidão. O Juízo, filme de Fernanda Torres com direção de seu marido, Andrucha Waddington, que estreia nesta quinta-feira (05/12), apresenta a história de um acerto de contas de mais de duzentos anos entre uma família da elite mineira e o escravo Couraça, vivido pelo cantor e rapper Criolo, que busca a reparação de algo irreparável.

Augusto Menezes, interpretado por Felipe Camargo, muda-se com a mulher, Tereza (Carol Castro), e o filho, Marinho (Joaquim Torres Waddington, estreante no cinema), para uma fazenda abandonada no interior de Minas Gerais, herdada do avô, depois de perder o emprego por problemas de alcoolismo. Sem energia elétrica e isolada no meio da mata, a propriedade carrega o carma da traição a Couraça, traficante de diamantes, que foi assassinado junto com a filha, Ana (Kênia Bárbara), numa emboscada armada por um antepassado dos Menezes.

Nessa trama de duas famílias em deterioração, o casarão branco, solitário e imponente é um elemento central que se soma à estética cinzenta, modorrenta e nublada do filme. “Queríamos esse tom sombrio, e a natureza nos deu o presente de termos apenas dois dias de sol em dois meses de filmagem. Gravamos debaixo de muita chuva”, conta Waddington. Mesmo as cenas diurnas parecem noturnas. Estas, por sua vez, foram gravadas à luz de velas (de fato, não há eletricidade no local) especialmente fabricadas com pavio duplo e uma cera que lhes confere mais luminância.

Tudo foi pensado para criar o ar de suspense que gera tanta bilheteria na indústria norte-americana e que começa a se implantar no Brasil. “O projeto nasceu há quatro anos, em uma época em que o cinema brasileiro estava indo muito bem nas comédias, fidelizando um público. Aí muitos produtores começaram a pensar em por que não a apostar em um cinema de mercado, de gênero. E o suspense, o terror, são muito populares”, lembra Fernanda Torres.

Ela conta que a ideia para o roteiro surgiu ao longo de várias viagens a Minas Gerais. “Via aquelas fazendas e pensava no carma delas, que herdam não só a escravidão do Brasil, mas também o peso da política extrativista, a história dos diamantes.” Em O Juízo, também as pedras preciosas são fantasmagóricas, brotam das águas sem explicação, fazendo jus a uma fala do personagem de Lima Duarte, o ourives Costa Breves: “Ninguém conhece sua fonte. Eles afloram nos rios, mas ninguém sabe de onde vêm”.

Foi com essa ideia em mente que Torres e o marido construíram um suspense com gado, floresta tropical, fazenda colonial, com senzala e cores locais. “Minas Gerais, que é um estado sem mar, muito fechado e policiado durante a Colônia, um lugar onde abundam os sanatórios e os problemas de alcoolismo é, para mim, o Brasil por excelência. É um estado que vai do Nordeste até o Sudeste. Eu sempre achei que havia um carma brasileiro em Minas Gerais que renderia uma história de terror e suspense que lidasse com a questão da escravidão, do extrativismo, da dívida eterna que a gente não consegue curar e da qual ainda somos herdeiros”, explica a roteirista.

“O filme é um drama de construção social que desemboca no que a gente vive hoje. É mais uma oportunidade para, através da arte, questionar como tudo chegou a ser do jeito que está", acrescenta Criolo. Ele conta que, para dar vida a Couraça, lembrou muito de sua própria história familiar. “Meu pai foi metalúrgico a vida toda, durante 40 anos. Meu avô foi estivador do cais do porto de Fortaleza. E indo mais atrás, chegamos a alguém da minha família que não veio aqui porque quis. O Couraça é um homem de extrema habilidade e astúcia, que, dentro daquela condição de homem escravizado, enriqueceu muita gente e conseguiu comprar sua liberdade. Eu não precisei de muitas coisas, infelizmente, para entender a importância daquilo que poderia ser exposto através desse personagem”, diz.

Filme em família
Fernanda Torres admite que temeu ter colocado toda sua família em uma “enrascada”. Além de contar com o marido na direção e o filho como o adolescente Marinho, sua mãe, Fernanda Montenegro, estrela o longa com o papel da espírita Marta Amarantes. “O suspense é um gênero muito perto do risível. É muito arriscado, porque você está a um passo do ridículo, ao lidar com muitos clichês", comenta. De fato, na história mística para explorar o caos emocional e psicológico dos protagonistas, O Juízo peca ao cair em clichês do gênero, incluindo as reviravoltas, quase sempre previsíveis.

O excesso de planos pouco convencionais para construir um ar de mistério quanto o que é realidade e o que é alucinação resulta óbvio. Outro erro é que os atores de maior peso do longa, Lima Duarte e Fernanda Montenegro, acabam com papéis pouco aproveitados. Como thriller, o filme não causa alarde e fica a sensação de algo faltando. No entanto, em tempos de crise no audiovisual brasileiro e na tentativa de alçar um mais um gênero nacional ao apelo comercial, O Juízo é um primeiro passo.

por Joana Oliveira

São Paulo - 05 DIC 2019 - 10:05 BRT



O Juízo é um filme brasileiro de 2019 escrito por Fernanda Torres e dirigido por Andrucha Waddington, lançado em 5 de dezembro de 2019 pela Paris Filmes. Estrelado por Fernanda Montenegro, Felipe Camargo, Carol Castro, Lima Duarte e Criolo.

Elenco
Fernanda Montenegro como Marta Amarantes
Felipe Camargo como Augusto
Carol Castro como Tereza
Criolo como Couraça
Lima Duarte como Costa Breves
Joaquim Torres Waddington como Marinho
Kênia Bárbara como Ana
Fernando Eiras como Dr. Lauro

Gênero: drama, suspense, terror

Direção: Andrucha Waddington

Roteiro: Fernanda Torres

Elenco: Fernanda Montenegro, Felipe Camargo, Carol Castro, Criolo, Lima Duarte

Música: Antônio Pinto, Yaniel Matos, André Namur

Cinematografia Azul Serra Companhia(s) produtora(s) Conspiração Filmes, Globo Filme

Distribuição: Paris Filmes

Lançamento: 5 de dezembro de 2019 (Brasil)

Idioma: português

Orçamento: R$ 8 milhões


O Juízo. Nada contra. O conceito desta película me remeteu ao álbum "Em Família", 1981, do multi-instrumentista Egberto Gismonti. Cinema, via de regra, além de trabalho em equipe, exige espírito familiar para ser bem feito e dar bons resultados em todo o processo. Vide a constituição dos pioneiros grupos empresariais ativos e atuantes nos meios de comunicação. A exemplo da extensa literatura, mais um filme da história brasileira sobre negros, escrito, dirigido e produzido por brancos, tendo dois negros entre os protagonistas e um coadjuvante. Cinema de gênero e com recorte racial e/ou social no Brasil é relativamente barato. Dispensa elenco estelar, a mão de obra é farta e conta com subsídios. Neste contexto serve de base para autores, atores, investidores e produtores negros  desenvolverem temas no gênero suspense e terror psicológico na seara escravista, cujo filão deve e merece ser remexido à exaustão. "Quando estou escrevendo e quando outras mulheres negras estão escrevendo, me vem à memória a função que as mulheres africanas - dentro das casas-grandes, escravizadas - tinham de contar histórias para adormecer a casa-grande. Eram histórias para adormecer. Nossos textos tentam borrar essa imagem. Nós não escrevemos para adormecer os da casa-grande, pelo contrário, é para acordá-los dos seus sonos injustos". Conceição Evaristo. Inclusive, se pegarmos por parâmetros a questão judaica no período nazista e presente em diversas filmografias. Os elos permanecem encrustados no consciente coletivo e racismo estrutural. É preciso dar vez e voz a quem não teve e ainda não tem vez e voz. Quem assistiu: Besouro, Cidade de Deus, Quanto vale ou é por quilo? Quilombo, Tudo que aprendemos juntos, apenas para citar, sabe do que estamos falando. N.E.

domingo, 15 de outubro de 2023

Dorme Pretinho, curta escrito e dirigido por Lia Letícia


Dorme Pretinho, videoclipe de uma canção inédita da grande cirandeira e patrimônio vivo Lia de Itamaracá.

Encantamento é a palavra que define a experiência de assistir aos oito minutos deste poético curta-metragem com direção de Lia Letícia. Tive a sensação de estar diante de um mundo e de um ser encantado.

Lia de Itamaracá, sem duvidas é encantada. Sua voz, música, poesia e arte têm o poder de encantar e ensinar aos povos a importância do ato de dar as mãos e de coabitar, compartilhando de uma mesma música, dança e sentimento.

O curta faz um recorte de parte das lembranças e memórias afetivas da infância de Lia com sua mãe e seus irmãos na Ilha de Itamaracá (PE). A mãe de Lia tinha o ofício de marisqueira e era através dele que essa mulher conseguia tirar o sustento para seus filhos e sua família.

Dorme Pretinho consegue, através de uma fotografia sensível e poética, nos transportar para lembranças e memórias de um tempo que não vivemos e ao mesmo tempo faz uma linda homenagem para as Mulheres Marisqueiras que através deste ofício alimentam seus filhos de geração em geração.

Texto: Stephanne Ávila. Revisão: Kátia Barros
Fonte: Alagoar

Lia de Itamaracá
Maria Madalena Correia do Nascimento, conhecida como Lia de Itamaracá (Itamaracá, 12 de janeiro de 1944), é uma dançarina, compositora e cantora de ciranda brasileira. É considerada a mais célebre cirandeira do Brasil.

Biografia
A artista Lia sempre morou na Ilha de Itamaracá e ainda criança começou a participar de rodas de ciranda.

Trabalhou como merendeira em uma escola pública da ilha.

Ficou conhecida por Lia nos anos 1960, depois que Teca Calazans, incorporando versos cantados pela cirandeira, acrescentou:

"Esta ciranda quem me deu foi Lia,
que mora na Ilha de Itamaracá".

Gravou seu primeiro disco em 1977, intitulado A Rainha da Ciranda.

Em 1998 participou do Abril pro Rock, o que a fez ser famosa nacionalmente.
Gravou Eu sou Lia em 2000, que foi distribuído também na França.
Em 2001, Lia de Itamaracá levou a sua ciranda a Paris, onde lançou o CD “Eu Sou Lia” e onde fez várias apresentações.

Participou do curta-metragem Recife Frio do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho. No filme Lia aparece cantando sua famosa ciranda "Eu Sou Lia, Minha Ciranda e Preta Cira" vestida com roupas de frio na praia de Itamaracá.

Em 2013, participou como personagem principal do curta-metragem documental Formiga Come do Que Carrega, do diretor Tide Gugliano.

Em 2019, participou do filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho. Seu álbum Ciranda Sem Fim foi eleito um dos 25 melhores álbuns brasileiros do segundo semestre de 2019 pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Reconhecimento
Lia de Itamaracá, do Brasil, no festival de música mundial Horizonte 2023, em Koblenz.

Lia de Itamaracá é Patrimônio Vivo de Pernambuco. A titulação é conferida pelo Governo de Pernambuco o objetivo de estimular e proteger iniciativas que contribuem para o desenvolvimento sociocultural e profissional dos mestres e das mestras de notório saber e grupos culturais, tradicionais e populares do Estado de Pernambuco, almejando a transmissão de seus conhecimentos e de suas técnicas. Nos últimos anos, Lia tem participado de festivais e eventos que tratam do repasse de sua sabedoria às novas gerações.

Foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura.

No dia 27 de agosto de 2019, Lia recebeu uma das maiores honrarias de toda sua trajetória artística: o título de Doutora Honoris Causa, pela Universidade Federal de Pernambuco, pelos serviços prestados à cultura de Pernambuco e do Brasil.

Diva da música negra - denominação dada pelo The New York Times.

Em 2003, a cineasta carioca Karen Akerman começou registrar a vida da cirandeira, para um documentário que pretende realizar, sob o mesmo título de CD de Lia.

Em reconhecimento de seu trabalho a promoveu o seu registro como Patrimônio Vivo de Pernambuco. E o Governo Federal, através do Ministério da Cultura, a premiou com a medalha do Mérito Cultural.

Reconhecida como doutora honoris causa pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE.

Em 2020, foi homenageada pelo Bloco Afro Ilú Oba De Min, em seu tradicional cortejo de carnaval.


Minibiografia de Lia Letícia
Lia Letícia pensa seu trabalho a partir de um campo ampliado de arte, na tensão entre práticas artísticas e a sua pretensa autonomia. A construção e conflitos advindos dessa reflexão engendram suas obras. Artista visual, natural de Viamão/RS, muda para Olinda/PE no final da década de 90 e explora a pintura em diversos suportes, inclusive o audiovisual, e investiga as relações entre este e a performance. Além de escrever e dirigir seus próprios filmes, trabalha como diretora de arte. Seus trabalhos transitam entre festivais de cinema e exposições de arte, multiplica esta experiência através de ações como o Cinecão ou como artista educadora em projetos de experimentação audiovisual, como a Escola Engenho. Também colabora como diretora e montadora em trabalhos de artistas visuais, coordena coletivamente projetos da Galeria Maumau e faz parte do CARNI- Coletivo de Arte Negra e Indígena.

FILMOGRAFIA
Meia Dúzia de Maças - Lia Leticia, Paulo do Amparo e Fernando Peres (2002, 8min);
Shhh! - Fernando Peres e Lia Leticia (2004, 4min);
Caminhada contra a ideia de progresso - (2006, 5min);
O Cotidiano do Ovo de Codorna - (2007, 11min);
Netuno NOturno - (2008, 8min);
Orwo Foma - Lia Leticia e Karen Black (2012, 3min);
Encantada - (2013, 11min);
Golpista desde sempre - (2016, 11min);
Terra não Dita, Mar não Visto - (2017, 13min);
Thinya - (2019, 15min);
De Todos os lugares, o mundo - (2020, 5min);
Feliz Navegantes - (2021, 6min);


Dorme Pretinho
Direção e roteiro: Lia Letícia
Ficção, 08 minutos, 2022, PE

@quilombocineblog; @cabecasfalantesblog; @oubifotografia; #dormepretinho; #lialeticia; #liadeitamaraca; #negrosemcena; #somosmalungosinterdependentes; #vidasevozesnegrasimportam;
#lei1063903; #lei1164508

sábado, 14 de outubro de 2023

Nollywood o cinema da Nigéria que criou a sua própria identidade

Conheça a indústria cinematográfica nigeriana que vem influenciando outros países no continente africano. 

Quando uma crise econômica atingiu o país na década de 1980 prejudicando a indústria audiovisual, os nigerianos não se abateram. Eles foram em busca de um novo formato de produção e, em 20 anos, se transformaram na segunda maior indústria cinematográfica em produção do mundo, levando ao mercado interno e externo cerca de 200 filmes por mês. De todas as particularidades de Nollywood, que é hoje um exemplo para todo o continente africano e para o mundo, a democracia ao acesso é o seu pilar central. 

–É um modelo democrático onde é possível produzir. É barato de operar, aproveita as condições econômicas da Nigéria e usa como matéria-prima uma população enorme, cheia de ótimas histórias para contar – diz, em entrevista ao Por dentro da África, Jonathan Haynes, professor da Universidade de Long Island (Nova Iorque), que há décadas se debruça sobre os estudos do cinema nigeriano. 

A proposta de Nolywood, nome que nasceu em 2002, não se encaixa no perfil comercial de Hollywood (indústria dos Estados Unidos). Ela é autêntica e olha única e exclusivamente para a África e para a Nigéria, uma fonte vasta de energia e de curiosidade com mais de 250 línguas e dialetos. Por conta disso, Nollywood não produz apenas em inglês, mas em línguas locais como yoruba, igbo e hausa. 

Em um país onde a maioria das famílias tem mais aparelhos de DVDs do que refrigeradores, e onde ficar em casa é uma opção mais segura e barata do que sair às ruas para ir ao cinema (cerca de 70% da população vivem com menos de US$2 dólares por dia e não podem pagar um ingresso de cerca de US$10 dólares), Nollywood cresceu, criou raízes e uma regra: levar os filmes para os mais de 170 milhões de habitantes! 

Nolywood surgiu contrapondo a necessidade de treinamento técnico e domínio de equipamentos caros, usados na indústria cinematográfica mundial. O objetivo que regia os cineastas era contar histórias. E foi esse desprendimento técnico que transformou esse modelo em um sucesso, usado como exemplo em todo o continente e em regiões do Caribe. 

–Nolywood tem um longo caminho. O país precisa criar laboratórios de processamento, e a técnica precisa melhorar, mas já há muitos trabalhadores aprimorando luz, áudio, edição. Conforme o retorno financeiro aumenta, maiores são as possibilidades de evoluir tecnicamente – conta Haynes sobre o mercado que emprega, pelo menos, 200 mil habitantes e movimenta US$250 milhões de dólares por ano (o terceiro maior do mundo atrás de Hollywood e Bollywood – cinema indiano). 

Mahmood Ali-Balogun, um dos diretores mais renomados do cinema nigeriano, fala com orgulho da atuação de seus conterrâneos que não segmentam o processo de produção dos filmes. Segundo ele, desta forma, eles não precisam destinar recursos a tantos terceiros. 

–As pessoas que compõem a equipe trabalham em várias áreas. Todos precisam ter uma noção do todo porque essa é a nossa fórmula de sucesso. Nós filmamos em 10 dias, em um mês. Quanto mais rápido você fizer, mais retorno terá – disse o diretor de “Tango with me”  – o longa-metragem mais lucrativo do mercado nigeriano em 2011 que foi exibido em Londres e que, nas salas de cinema nigerianas, superou os 100 mil espectadores. 

A revolução na distribuição 
O start para Nollywood foi seguinte à crise econômica que atingiu em cheio os cinemas nigerianos. Mahmood lembra que as salas começaram a fechar, e muitas se tornaram igrejas e outros estabelecimentos. Brevemente, os nigerianos encontraram uma saída que abrangia a produção para a TV e para o vídeo. A demanda para os cinemas estava abalada, mas não a demanda para a TV e para o vídeo-cassete, na época. 

Living in Bondage (lançado em 1992) é considerado o primeiro blockbuster de Nolywood exibido em vídeo e estrela do Prêmio da Academia Africana de Cinema. A obra dirigida por Chris Obi Rapu é um misto de religiosidade e crenças que ajudou  a construir a estética de Nollywood. 

Desde então, milhares de filmes foram lançados. Em 2009, a Unesco descreveu Nollywood como a segunda maior indústria (de produção) do mundo e a segunda atividade que mais emprega nigerianos. 

No país onde o ingresso do cinema é caro demais para a população, o mercado de sucesso é o  DVD. Em todo o território, há apenas 12 cinemas multiplex com quatro salas de exibição. De forma independente, os próprios produtores faziam seus filmes chegarem ao público da forma mais simples possível: pelas ruas. 

Ainda hoje, a preços acessíveis (cerca de US$2 dólares), os filmes são vendidos nas ruas e em locadoras. Mesmo com o custo baixo, havia uma estratégia para combater a pirataria. Zeb Ejiro, diretor de Domitilla (filme lançado em 1996, grande sucesso de Nolywood), conta que, no início, as cópias eram assinadas manualmente e depois embaladas. O trabalho árduo que parecia interminável (dependendo do número de cópias) não era ineficaz como parece para um ouvinte. 

–Havia algumas pessoas para avaliar isso. O próprio diretor ou produtor poderiam fazer: entrando nas locadoras e pegando uma cópia. Ao abrir a embalagem, a assinatura era conferida; se fosse falsa, a polícia era chamada – conta ao Por dentro da África Zeg, também no comando da Film and Broadcast Academy, instituição que ajuda a  formar mão-de-obra especializada. 

Para Jonathan, o estudioso que passa dias esmiuçando a indústria dos nigerianos, há muito o que aprender sobre Nollywood, onde filmes que custam aproximadamente US$15 mil dólares são produzidos em 10 dias e viram grandes hits. 

– É muito difícil fazer filme sem eletricidade… Em alguns lugares, onde há ausência ou quedas de luz, o processo é prejudicado. Mesmo com tantos desafios, eles estão expondo a imagem da África que é moderna e tradicional. Certamente, é um exemplo de autenticidade. 

A leitora Inês Amaral, de Portugal, sugeriu identificar Nigéria no título. Apesar de a reportagem tratar da Nigéria como fonte de Nollywood, indústria cinematográfica que vem inspirando muitos países do continente, o nome do país aparecia apenas no subtítulo. Desta forma, de Nollywood: o cinema da África que criou a sua própria identidade, substituímos para Nollywood: o cinema da Nigéria que criou a sua própria identidade 


Fonte: Natália Luz - Por dentro da África 

O QUEIJO DE NOLLYWOOD: Primeira tomada

por Temidayo Johnson

Uma análise crítica

Nollywood é o apelido popular usado para identificar a indústria cinematográfica nigeriana. Esta é a indústria cinematográfica responsável pela produção de filmes em línguas nigerianas e também em inglês e pidgin.

Historicamente falando, é uma indústria que existe desde os tempos anteriores à independência da Nigéria, com os trabalhos de pioneiros como Adeyemi Love Afolayan, Eddie Ugboma, Hubert Ogunde, Moses Olaiya, Duro Ladipo, para mencionar alguns.

O boom nas vendas de filmes nigerianos por volta de 1992 fez com que muitos atribuíssem aquele ano como o “início de Nollywood”.

Uma indústria estimada em cerca de 4 mil milhões de dólares (3,3 mil milhões em 2015) é mais uma indústria produtora de quantidade do que uma indústria produtora de qualidade.

Com milhares de filmes produzidos por ano, a maioria dos filmes pode ser agrupada nos seguintes

1. Histórias culturais, travessuras de aldeia e épicos;

2. Polícia e Ladrão, Thuglife;

3. Filmes sobre situação familiar;

4. Filmes ritualísticos e de disputa de poder;

5. Apenas para filmes engraçados;

NB: alguns filmes estão fora desta categorização;

O que está errado?
Existem razões simples pelas quais alguns nigerianos nunca gastarão dinheiro comprando um filme nigeriano ou assistindo-o na TV a cabo pelo qual pagam. Muitos acreditam que é pura perda de tempo sentar e assistir a um filme de Nollywood, mas os números parecem ser a favor de Nollywood, pois a receita é bastante alta.

Os ganhos brutos dos filmes de Nollywood nos últimos tempos parecem mostrar que os filmes nigerianos podem ser bons ou que as coisas estão mudando.

De acordo com a Variety, “The Wedding Party” coroou um ano recorde para as bilheterias nigerianas, que arrecadou 3,5 bilhões de nairas (cerca de US$ 11,5 milhões) em 2016, com quase 30% vindo de fotos locais, marcando a primeira vez que filmes nigerianos foram lançados. ultrapassou o limite do bilhão de nairas.

Filmes como The Wedding Party, Fifty, October 1 e similares são uma espécie de filmes que muitos espectadores de fora de Nollywood assinaram e podem ser vistos como novos padrões, mas nem todos os filmes nigerianos de alto rendimento deixaram o parque do “brega” .

Acredito que o que há de errado com os filmes de Nollywood no momento é o que deve ser corrigido/trabalhado para que fique melhor.

Trama de histórias de Nollywood
A maioria dos filmes de nollywood parece ter uma aparência de enredo, a ponto de você provavelmente poder prever cada parte do filme desde os primeiros dez minutos do filme. Embora isto não se aplique a todos os filmes, a maioria dos filmes de Nollywood se enquadra nesta categoria.

Acredito que existam escritores muito bons na Nigéria que podem dar vida a boas histórias que seriam um prazer assistir. Talvez a economia do que vende e do que é fácil de fazer seja o que domina neste momento, mas boas histórias venderão sempre e serão reconhecidas.

Fundição
Eu não diria que não temos uma grande safra de talentos em Nollywood, mas há um ponto de insatisfação na classificação. Alguns atores interpretam o mesmo personagem em filmes diferentes, a tal ponto que parece não se esperar muito deles em termos de expressão artística… Basta ser o porteiro sempre nos filmes, ser a sogra malvada ou ser identificado com ditados ou gírias em todos os filmes .

Bem… é aqui que entra a maior parte dos clichês nos filmes nigerianos. Embora, para ser justo, a maioria dos atores que se tornaram vítimas de tipificação são bons atores, mas acho que eles têm que ganhar com tudo o que aparece em seu caminho, para que assumam papéis de tipificação.

Assisti a alguns filmes nigerianos e só posso me perguntar quem está encarregado de fazer o elenco?

Para ser justo (também com os responsáveis pelo elenco), talvez eles estejam trabalhando com o que têm, mas ainda acredito que a consciência de melhorar a arte do cinema na Nigéria é necessária até ao ponto de escalar atores de qualidade.

Técnicas cinematográficas
A expressão artística dos diretores e cineastas contribui muito para tornar um filme prazeroso de assistir. Embora alguns diretores de cinema prestem atenção a isso em Nollywood, alguns apenas pegam uma câmera “aponte e dispare”, na minha opinião.

Pode não importar para uma pessoa que quer apenas assistir ao filme e passar para o próximo, mas para os espectadores que apreciam arte, um esforço consciente para melhorar a narrativa através do meio visual faz toda a diferença.

Muitos filmes têm muitos cortes e parece que eles não sabem quando um corte não é necessário ou não têm consciência do efeito que uma boa tomada tem na sensação emocional de uma cena.

Muitos filmes de Nollywood têm a prática de ter tomadas cinematográficas apenas nas transições de cena e a triste história é que essas tomadas podem de forma alguma contar qualquer história que complemente o filme. Eles são apenas cenas cortadas usadas para transição.

Há algumas outras coisas que ainda estão muito erradas em Nollywood, incluindo a legendagem, o título dos filmes, as questões de flagelação para preencher o tempo, pular em todas as questões de tendência para fazer um filme que não tenha relação com o assunto, fazer uma versão cafona de um filme estrangeiro, explicitação desnecessária…..Você pode adicionar à lista. (Suspirar)

Bem, para todos que têm esforços conscientes para fazer gosma.

Fonte: Medium/Temidayo Johnson

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