sábado, 14 de outubro de 2023

Nollywood o cinema da Nigéria que criou a sua própria identidade

Conheça a indústria cinematográfica nigeriana que vem influenciando outros países no continente africano. 

Quando uma crise econômica atingiu o país na década de 1980 prejudicando a indústria audiovisual, os nigerianos não se abateram. Eles foram em busca de um novo formato de produção e, em 20 anos, se transformaram na segunda maior indústria cinematográfica em produção do mundo, levando ao mercado interno e externo cerca de 200 filmes por mês. De todas as particularidades de Nollywood, que é hoje um exemplo para todo o continente africano e para o mundo, a democracia ao acesso é o seu pilar central. 

–É um modelo democrático onde é possível produzir. É barato de operar, aproveita as condições econômicas da Nigéria e usa como matéria-prima uma população enorme, cheia de ótimas histórias para contar – diz, em entrevista ao Por dentro da África, Jonathan Haynes, professor da Universidade de Long Island (Nova Iorque), que há décadas se debruça sobre os estudos do cinema nigeriano. 

A proposta de Nolywood, nome que nasceu em 2002, não se encaixa no perfil comercial de Hollywood (indústria dos Estados Unidos). Ela é autêntica e olha única e exclusivamente para a África e para a Nigéria, uma fonte vasta de energia e de curiosidade com mais de 250 línguas e dialetos. Por conta disso, Nollywood não produz apenas em inglês, mas em línguas locais como yoruba, igbo e hausa. 

Em um país onde a maioria das famílias tem mais aparelhos de DVDs do que refrigeradores, e onde ficar em casa é uma opção mais segura e barata do que sair às ruas para ir ao cinema (cerca de 70% da população vivem com menos de US$2 dólares por dia e não podem pagar um ingresso de cerca de US$10 dólares), Nollywood cresceu, criou raízes e uma regra: levar os filmes para os mais de 170 milhões de habitantes! 

Nolywood surgiu contrapondo a necessidade de treinamento técnico e domínio de equipamentos caros, usados na indústria cinematográfica mundial. O objetivo que regia os cineastas era contar histórias. E foi esse desprendimento técnico que transformou esse modelo em um sucesso, usado como exemplo em todo o continente e em regiões do Caribe. 

–Nolywood tem um longo caminho. O país precisa criar laboratórios de processamento, e a técnica precisa melhorar, mas já há muitos trabalhadores aprimorando luz, áudio, edição. Conforme o retorno financeiro aumenta, maiores são as possibilidades de evoluir tecnicamente – conta Haynes sobre o mercado que emprega, pelo menos, 200 mil habitantes e movimenta US$250 milhões de dólares por ano (o terceiro maior do mundo atrás de Hollywood e Bollywood – cinema indiano). 

Mahmood Ali-Balogun, um dos diretores mais renomados do cinema nigeriano, fala com orgulho da atuação de seus conterrâneos que não segmentam o processo de produção dos filmes. Segundo ele, desta forma, eles não precisam destinar recursos a tantos terceiros. 

–As pessoas que compõem a equipe trabalham em várias áreas. Todos precisam ter uma noção do todo porque essa é a nossa fórmula de sucesso. Nós filmamos em 10 dias, em um mês. Quanto mais rápido você fizer, mais retorno terá – disse o diretor de “Tango with me”  – o longa-metragem mais lucrativo do mercado nigeriano em 2011 que foi exibido em Londres e que, nas salas de cinema nigerianas, superou os 100 mil espectadores. 

A revolução na distribuição 
O start para Nollywood foi seguinte à crise econômica que atingiu em cheio os cinemas nigerianos. Mahmood lembra que as salas começaram a fechar, e muitas se tornaram igrejas e outros estabelecimentos. Brevemente, os nigerianos encontraram uma saída que abrangia a produção para a TV e para o vídeo. A demanda para os cinemas estava abalada, mas não a demanda para a TV e para o vídeo-cassete, na época. 

Living in Bondage (lançado em 1992) é considerado o primeiro blockbuster de Nolywood exibido em vídeo e estrela do Prêmio da Academia Africana de Cinema. A obra dirigida por Chris Obi Rapu é um misto de religiosidade e crenças que ajudou  a construir a estética de Nollywood. 

Desde então, milhares de filmes foram lançados. Em 2009, a Unesco descreveu Nollywood como a segunda maior indústria (de produção) do mundo e a segunda atividade que mais emprega nigerianos. 

No país onde o ingresso do cinema é caro demais para a população, o mercado de sucesso é o  DVD. Em todo o território, há apenas 12 cinemas multiplex com quatro salas de exibição. De forma independente, os próprios produtores faziam seus filmes chegarem ao público da forma mais simples possível: pelas ruas. 

Ainda hoje, a preços acessíveis (cerca de US$2 dólares), os filmes são vendidos nas ruas e em locadoras. Mesmo com o custo baixo, havia uma estratégia para combater a pirataria. Zeb Ejiro, diretor de Domitilla (filme lançado em 1996, grande sucesso de Nolywood), conta que, no início, as cópias eram assinadas manualmente e depois embaladas. O trabalho árduo que parecia interminável (dependendo do número de cópias) não era ineficaz como parece para um ouvinte. 

–Havia algumas pessoas para avaliar isso. O próprio diretor ou produtor poderiam fazer: entrando nas locadoras e pegando uma cópia. Ao abrir a embalagem, a assinatura era conferida; se fosse falsa, a polícia era chamada – conta ao Por dentro da África Zeg, também no comando da Film and Broadcast Academy, instituição que ajuda a  formar mão-de-obra especializada. 

Para Jonathan, o estudioso que passa dias esmiuçando a indústria dos nigerianos, há muito o que aprender sobre Nollywood, onde filmes que custam aproximadamente US$15 mil dólares são produzidos em 10 dias e viram grandes hits. 

– É muito difícil fazer filme sem eletricidade… Em alguns lugares, onde há ausência ou quedas de luz, o processo é prejudicado. Mesmo com tantos desafios, eles estão expondo a imagem da África que é moderna e tradicional. Certamente, é um exemplo de autenticidade. 

A leitora Inês Amaral, de Portugal, sugeriu identificar Nigéria no título. Apesar de a reportagem tratar da Nigéria como fonte de Nollywood, indústria cinematográfica que vem inspirando muitos países do continente, o nome do país aparecia apenas no subtítulo. Desta forma, de Nollywood: o cinema da África que criou a sua própria identidade, substituímos para Nollywood: o cinema da Nigéria que criou a sua própria identidade 


Fonte: Natália Luz - Por dentro da África 

O QUEIJO DE NOLLYWOOD: Primeira tomada

por Temidayo Johnson

Uma análise crítica

Nollywood é o apelido popular usado para identificar a indústria cinematográfica nigeriana. Esta é a indústria cinematográfica responsável pela produção de filmes em línguas nigerianas e também em inglês e pidgin.

Historicamente falando, é uma indústria que existe desde os tempos anteriores à independência da Nigéria, com os trabalhos de pioneiros como Adeyemi Love Afolayan, Eddie Ugboma, Hubert Ogunde, Moses Olaiya, Duro Ladipo, para mencionar alguns.

O boom nas vendas de filmes nigerianos por volta de 1992 fez com que muitos atribuíssem aquele ano como o “início de Nollywood”.

Uma indústria estimada em cerca de 4 mil milhões de dólares (3,3 mil milhões em 2015) é mais uma indústria produtora de quantidade do que uma indústria produtora de qualidade.

Com milhares de filmes produzidos por ano, a maioria dos filmes pode ser agrupada nos seguintes

1. Histórias culturais, travessuras de aldeia e épicos;

2. Polícia e Ladrão, Thuglife;

3. Filmes sobre situação familiar;

4. Filmes ritualísticos e de disputa de poder;

5. Apenas para filmes engraçados;

NB: alguns filmes estão fora desta categorização;

O que está errado?
Existem razões simples pelas quais alguns nigerianos nunca gastarão dinheiro comprando um filme nigeriano ou assistindo-o na TV a cabo pelo qual pagam. Muitos acreditam que é pura perda de tempo sentar e assistir a um filme de Nollywood, mas os números parecem ser a favor de Nollywood, pois a receita é bastante alta.

Os ganhos brutos dos filmes de Nollywood nos últimos tempos parecem mostrar que os filmes nigerianos podem ser bons ou que as coisas estão mudando.

De acordo com a Variety, “The Wedding Party” coroou um ano recorde para as bilheterias nigerianas, que arrecadou 3,5 bilhões de nairas (cerca de US$ 11,5 milhões) em 2016, com quase 30% vindo de fotos locais, marcando a primeira vez que filmes nigerianos foram lançados. ultrapassou o limite do bilhão de nairas.

Filmes como The Wedding Party, Fifty, October 1 e similares são uma espécie de filmes que muitos espectadores de fora de Nollywood assinaram e podem ser vistos como novos padrões, mas nem todos os filmes nigerianos de alto rendimento deixaram o parque do “brega” .

Acredito que o que há de errado com os filmes de Nollywood no momento é o que deve ser corrigido/trabalhado para que fique melhor.

Trama de histórias de Nollywood
A maioria dos filmes de nollywood parece ter uma aparência de enredo, a ponto de você provavelmente poder prever cada parte do filme desde os primeiros dez minutos do filme. Embora isto não se aplique a todos os filmes, a maioria dos filmes de Nollywood se enquadra nesta categoria.

Acredito que existam escritores muito bons na Nigéria que podem dar vida a boas histórias que seriam um prazer assistir. Talvez a economia do que vende e do que é fácil de fazer seja o que domina neste momento, mas boas histórias venderão sempre e serão reconhecidas.

Fundição
Eu não diria que não temos uma grande safra de talentos em Nollywood, mas há um ponto de insatisfação na classificação. Alguns atores interpretam o mesmo personagem em filmes diferentes, a tal ponto que parece não se esperar muito deles em termos de expressão artística… Basta ser o porteiro sempre nos filmes, ser a sogra malvada ou ser identificado com ditados ou gírias em todos os filmes .

Bem… é aqui que entra a maior parte dos clichês nos filmes nigerianos. Embora, para ser justo, a maioria dos atores que se tornaram vítimas de tipificação são bons atores, mas acho que eles têm que ganhar com tudo o que aparece em seu caminho, para que assumam papéis de tipificação.

Assisti a alguns filmes nigerianos e só posso me perguntar quem está encarregado de fazer o elenco?

Para ser justo (também com os responsáveis pelo elenco), talvez eles estejam trabalhando com o que têm, mas ainda acredito que a consciência de melhorar a arte do cinema na Nigéria é necessária até ao ponto de escalar atores de qualidade.

Técnicas cinematográficas
A expressão artística dos diretores e cineastas contribui muito para tornar um filme prazeroso de assistir. Embora alguns diretores de cinema prestem atenção a isso em Nollywood, alguns apenas pegam uma câmera “aponte e dispare”, na minha opinião.

Pode não importar para uma pessoa que quer apenas assistir ao filme e passar para o próximo, mas para os espectadores que apreciam arte, um esforço consciente para melhorar a narrativa através do meio visual faz toda a diferença.

Muitos filmes têm muitos cortes e parece que eles não sabem quando um corte não é necessário ou não têm consciência do efeito que uma boa tomada tem na sensação emocional de uma cena.

Muitos filmes de Nollywood têm a prática de ter tomadas cinematográficas apenas nas transições de cena e a triste história é que essas tomadas podem de forma alguma contar qualquer história que complemente o filme. Eles são apenas cenas cortadas usadas para transição.

Há algumas outras coisas que ainda estão muito erradas em Nollywood, incluindo a legendagem, o título dos filmes, as questões de flagelação para preencher o tempo, pular em todas as questões de tendência para fazer um filme que não tenha relação com o assunto, fazer uma versão cafona de um filme estrangeiro, explicitação desnecessária…..Você pode adicionar à lista. (Suspirar)

Bem, para todos que têm esforços conscientes para fazer gosma.

Fonte: Medium/Temidayo Johnson

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As plataformas de streaming estão de olho neste filão potencial  e contam com ótimos títulos de filmes e séries nos seus catálogos, a começar pela Netflix. Para ajudar na pesquisa, use os termos: África, Nigéria, Negros, Nollywood e boa sessão. Depois divulgue suas impressões nas redes sociais e mande para nós. N.E.


Exposição Paulo Chavonga "Onde o arco-íris se esconde" no Museu da Imigração


O Museu da Imigração exibe a nova exposição do artista plástico, poeta e cineasta angolano Paulo Chavonga, intitulada "Onde o arco-íris se esconde" com curadoria de Luciara Ribeiro e expografia de Carmela Rocha e Sofia Gava.

Artista nascido em Benguela, Angola, vive atualmente em São Paulo, e tem apresentado um olhar atento para a vida e seus espaços. Da janela de seu ateliê às praças da cidade, ele registra o cotidiano com foco nas pessoas. Apoiado em diferentes suportes e materialidades, tendo a pintura como linguagem central, em uma paleta de tons vibrantes, ele observa a realidade e a transforma em imagem de crítica social, sem que isso o impeça de dialogar com extrema poesia e sensibilidade.

Nessa exposição, Chavonga faz conexões entre trajetórias de imigrantes africanos, a experiência cotidiana em outro país e o universo da representatividade artística. O trabalho envolve perspectiva de resistência sobre a ideia de permanência e resiliência ao pensar arte como contato com a cultura dele.

Para focar no aspecto humanista da mostra, o artista conta sua própria história com fotos de sua família em Angola. "Todo imigrante tem uma história e uma memória. Quero criar um olhar humano entre o brasileiro e o imigrante africano. Quero dar voz aos africanos. A mostra reúne também denúncias de xenofobia e racismo, o que tem levado à migração reversa, onde os imigrantes africanos saem do Brasil para outros países ou mesmo para retornarem para sua terra natal", explica o artista.

A exposição integra 60 pinturas, uma instalação que reproduz uma barraca de venda de tecidos da Praça da República, dois vídeos e doze poemas. No dia da estreia, os poemas serão declamados pelos poetas angolanos Ermi Pazo e Mwana N'gola.

O artista Paulo Chavonga

Paulo Chavonga nasceu em 1997 na província de Benguela, na região central de Angola. Começou com sua produção artística em grupos de estudos comunitários entre artistas. Em 2015, já residente da cidade de Luanda, ingressou na União Nacional de Artistas Plásticos (UNAP) e no mesmo ano teve a sua primeira individual, a exposição "Passos de Um Artista", na Mediateca de Benguela.

Entre 2015 e 2017 participou das Mostras de Jovens Criadores da CPLP, com itinerância internacional em países como Portugal e Moçambique, e em 2017 participou da "Expo Conexões", em Moçambique, para onde retornou em 2019 na "Expo Move your Art", seguindo para a "Expofacic", em Cantanhede, Portugal, naquele mesmo ano. A partir de 2017, o artista emigrou para o Brasil, vivendo na cidade de São Paulo. Em 2018 começou a frequentar a comunidade HiP Hop da zona sul, realizando vários projetos. Em 2020, foi selecionado para a "Bienal Naifs do Brasil", realizada no Sesc Piracicaba, com curadoria de Renata Felinto e Ana Avelar. Em 2021 participou da residência artística do Museu da Imigração do Estado de São Paulo, finalizada com a mostra "Rostos invisíveis da imigração no Brasil". Em 2022 foi um dos selecionados para o 32° Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo, com o projeto "Áfrikas: Olhares descoloniais".

SERVIÇO
Exposição "Paulo Chavonga "Onde o arco-íris se esconde" no Museu da Imigração
8 de julho a 26 de novembro/2023
MUSEU DA IMIGRAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Rua Visconde de Parnaíba, 1316 - Mooca - São Paulo - SP
(11) 2692-1866 - museudaimigracao@museudaimigracao.org.br

Ingresso: Entrada franca aos sábados e nos demais dia verifique os valores na Sympla. Baixe aqui em pdf o Manual de Agendamento e Visitação ao Museu da Imigração.

LOCALIZAÇÃO: Perto da estação Bresser-Moóca. Indicamos que, após a catraca do metrô, os visitantes peguem a saída da direita e sigam a Rua Visconde de Parnaíba até o número 1.316, onde fica o MI. É uma linha reta com, aproximadamente, 8 minutos de caminhada.



quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Cinema africano juvenil em cartaz no Circuito SPcine




A PEQUENA VENDEDORA DE SOL


SINOPSE: Em Dacar, vender jornais na rua é uma tarefa sempre ocupada por meninos. Certa manhã, Sili, uma jovem menina, decide desafiar essa regra exclusiva.


ELENCO: Lissa Balera, Tayerou M'Baye, Aminata Fall, Moussa Baldé, Dieynaba Laam, Martin N'Gom, Oumou Samb

DIREÇÃO: Djibril Diop Mambéty

Onde assistir

CIRCUITO SPCINE BIBLIOTECA - ROBERTO SANTOS

CIRCUITO SPCINE OLIDO - GALERIA OLIDO

Duração: 43 minutos

Gênero: Drama

País: Senegal e Suíça

Ano: 1999

Classificação: 10 Anos

Distribuidor: FILMICCA

Fonte: Circuito SPcine/site

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Processo seletivo curso técnico: SP Escola de Teatro abre seleção para 80 vagas

A SP Escola de Teatro, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e gerida pela Associação dos Artistas Amigos da Praça (ADAAP), está com inscrições abertas para as novas turmas do curso técnico em teatro, com aulas no início do segundo semestre de 2021.

O prazo para se inscrever na Processo Seletivo vai até 17h de 19 de abril, exclusivamente pela internet, no www.institutomais.org.br.

–> Veja o edital completo 

No edital são 80 vagas, divididas em oito linhas de estudo. O curso técnico de teatro oferece formação nas áreas de Atuação, Cenografia e Figurino, Direção, Dramaturgia, Humor, Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco. As turmas têm duração de dois anos.

A taxa de inscrições na seleção é de R$ 60. As aulas são gratuitas.

Confira o número de vagas por área:
Atuação:15
Cenografia e figurino: 10
Direção: 08
Dramaturgia: 10
Humor: 05
Iluminação: 03
Sonoplastia: 12
Técnicas de Palco: 17

Podem concorrer pessoas de todo o Brasil, maiores de 18 anos (completados até julho de 2021) e com ensino médio completo, além de estrangeiros em situação legal no País.

No Processo Seletivo da SP Escola de Teatro, 20% das vagas de cada uma das linhas de estudo são destinadas a pessoas autodeclaradas pretas ou indígenas.

Quem quiser atendimento pelo nome social pode solicitar à organização da seleção até 19 de abril.

REDUÇÃO E ISENÇÃO DE TAXA
Há possibilidade de redução de 50% da taxa de inscrição para estudantes de ensino médio, curso pré-vestibular, graduação ou pós-graduação, desempregados e pessoas que recebem menos de dois salários mínimos, conforme o edital.

Pessoas que tenham cursado o ensino fundamental ou os três anos do ensino médio em escola da rede pública ou na rede privada como bolsista integral, além de doadores de sangue – conforme o projeto Escola Vermelha, criado pela Escola em parceria com a Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo – ficam isentas do pagamento.

O período para solicitar redução ou isenção vai das 17h00 do dia 22 de março até às 17h00 do dia 25 de março de 2021.

CRONOGRAMA DE SELEÇÃO
A seleção para o curso técnico da SP Escola de Teatro é dividida em dois momentos.

O primeiro momento consiste no preenchimento de um questionário virtual (nos dias 5, 6 e 7 de maio) na participação de uma entrevista por vídeo chamada (de 17 de maio até 29 de maio, de acordo com calendário a ser divulgado) e uma redação online (em 30 de maio).

As pessoas aprovadas nessa etapa seguem para um segundo momento, previsto para ocorrer de 16 a 26 de junho de 2021. São as avaliações específicas da área escolhida na inscrição, podendo ser individuais ou em grupo – de acordo com as linhas.

O resultado final do Processo Seletivo será divulgado em 08 de julho.

Confira a versão online do manual das candidatas e candidatos e baixe ela aqui.

Fonte: SP Escola de Teatro/Processo seletivo segundo semestre 2021


terça-feira, 27 de novembro de 2012

São Bernardo do Campo inaugura centro de audiovisual


A Prefeitura de São Bernardo do Campo inaugura, na segunda-feira, 26/11, às 19h, o Centro de Audiovisual, um moderno espaço para a formação de novos profissionais e de difusão de produtos cinematográficos e de peças para a TV e animação.

Participam do coquetel de inauguração, no Centro de Formação dos Profissionais da Educação (Cenforpe), no Bairro Planalto, o prefeito Luiz Marinho e a ministra da Cultura, Marta Suplicy.

A abertura do Centro de Audiovisual é a primeira etapa do projeto de revitalização dos antigos Estúdios Vera Cruz, marco importante na história cultural de São Bernardo do Campo e do Brasil.

Com equipamentos de tecnologia de ponta, o Centro de Audiovisual vai oferecer cursos gratuitos, com matérias teóricas e práticas, nas áreas de Cine/TV e de Animação 2D e 3D.

As inscrições estarão abertas a partir do dia 27 de novembro pelo site www.saobernardo.sp.gov.br/cultura/cav. A escola terá capacidade para atender a 225 alunos. Os cursos terão duração de um ano e meio, divididos em três semestres. As aulas para a primeira turma, de 75 alunos, começarão em março de 2013, após o processo seletivo.

O novo espaço é resultado de um convênio entre a Prefeitura de São Bernardo e o Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura.


Sobre o CAV

O CAV é um programa de governo, fruto de um convênio com o Minc – Ministério da Cultura – que tem como foco a formação, pesquisa, produção e difusão da criação audiovisual. É a primeira etapa do Projeto de Revitalização dos Estúdios Vera Cruz.

O CAV – Centro de Audiovisual – oferecerá cursos gratuitos na área de Cinema/TV e Animação com duração de 3 semestres cada um, e têm como norte aliar duas áreas da produção audiovisual, no caso, a tecnologia e o fazer/ pensar artístico, um formato inédito em cursos de formação para o audiovisual no Brasil.

Além dos cursos regulares o CAV oferecerá palestras, workshops, reciclagem para profissionais, outro destaque será seu Núcleo de Produção, formado por profissionais experientes, o que possibilitará o estágio dos próprios alunos durante a formação, tendo condições para a criação de peças audiovisuais para a própria prefeitura, o apoio a artistas e produtores locais, e até mesmo apoio a produção de projetos externos de realizadores de médio e grande porte.

O CAV também atuará na difusão do audiovisual na cidade, seja com exibições e oficinas fora do espaço físico do Centro, seja com o compartilhamento de toda a produção dos alunos para além dos muros da escola. Para que essas ações ocorram, a equipe do CAV e da Secretaria de Cultura atuará junto aos cineclubes e outros equipamentos, como teatros, bibliotecas e praças da cidade.

Com estrutura para atender até 225 alunos, o CAV irá operar no complexo do Cenforpe, sendo que um dos andares dos alojamentos lá existentes foi totalmente reconstruído para atender as especificidades que um projeto desse porte exige.

O Centro contará com um estúdio de 100 metros quadrados, cabine para dublagem e locução, duas ilhas de edição, espaço para abrigar as produções e as salas de aula, que contará com equipamentos de ponta utilizados pelo mercado.O objetivo é que o aluno formado pelo CAV saia apto a exercer tanto uma carreira técnica na área de audiovisual quanto uma carreira mais artística, com vistas à produção audiovisual, a geração de renda e fomento à cadeia produtiva na cidade.

Outra grande novidade do CAV é a área de animação, onde o aluno que escolher esse curso poderá aprender na prática a produção de filmes e séries em animação, seja na técnica de animação tradicional, na qual os desenhos são feitos um a um, ou também nas técnicas de animação 2D Digital e 3D, tudo baseado em softwares de última geração e em computadores com tecnologia Apple.



Mostra O Negro no Cinema Brasileiro percorre 50 anos de história

No Dia da Consciência Negra, o Museu Nacional dos Correios, em Brasília, abre uma mostra que promete revelar como a população afrodescendente tem sido retratada pelo cinema nacional ao longo dos últimos 50 anos. O Negro no Cinema Brasileiro acontece de 20 de novembro a 2 de dezembro, sob a curadoria do cineasta, professor e crítico de cinema Sérgio Moriconi.

Ao longo de duas semanas, serão promovidas 24 sessões, em horários alternativos. De terça a sexta-feira, as exibições acontecem às 12h30 e às 19h, visando oferecer uma oportunidade de unir descanso e informação para quem trabalha nas proximidades do Setor Comercial Sul (onde está o Museu Nacional dos Correios). Aos sábados e domingos, sessões às 15h e às 17h. A entrada é franca.

O Negro no Cinema Brasileiro pretende estimular uma reflexão sobre a história e a importância da presença dos afrodescendentes na constituição cultural, econômica e socioeconômica do país, além de permitir um debate sobre a situação atual.

A mostra vai exibir títulos que percorrem a história do cinema no Brasil. A começar por Amei um bicheiro, de 1952, policial inspirado nos filmes noir, sobre o jogo do bicho e que contém a cena em que o lendário ator Grande Otelo considerava a melhor de toda sua carreira: a morte de seu personagem, Passarinho. O passeio continua com o clássico Orfeu Negro, 1959, de Marcel Camus, que venceu em Cannes e recebeu o Globo de Ouro ao transpor para o carnaval carioca da década de 50 o mito de Orfeu e Eurídice.

Um dos mais importantes filmes do cinema brasileiro, Assalto ao Trem Pagador, de 1962, dirigido por Roberto Farias, tinha como protagonistas os atores Eliezer Gomes, Grande Otelo, Ruth de Souza e Luíza Maranhão. Na tela, a encenação de um fato real: o assalto ao trem da Central do Brasil, em 1960. Um título emblemático, A Rainha Diaba, 1974, de Antonio Carlos Fontoura, afirmou o imenso talento do ator Milton Gonçalves. Na pele de um homossexual que dominava o tráfico de drogas na Lapa, no Rio de Janeiro, Milton arrebatou o Brasil. O filme foi premiado no Festival de Brasília.

Em 1998, o cineasta Renato Barbieri e o pesquisador Victor Leonardi percorreram o caminho trilhado pelos africanos feitos escravos no Brasil e conceberam o premiado Atlântico Negro – na rota dos Orixás, que mostra as afinidades existentes entre comunidades separadas pelo Oceano Atlântico.

Mas foi nos anos 2000 que se assistiu a um boom da presença do negro no cinema brasileiro. Títulos como Uma onda no ar, de Helvécio Ratton, e Madame Satã, de Karim Aïnouz, de 2002, apresentavam diferentes aspectos da realidade social da população afrodescendente no País. Com seu filme sobre a criação de uma Rádio Comunitária numa favela de Belo Horizonte e da repressão policial que seus criadores vieram a sofrer, Ratton mostrou pessoas que tentam romper a rotina de tráfico e violência. Karim Aïnouz em seu longa de estreia, Madame Satã, magnificamente protagonizado por Lázaro Ramos, retrata a vida do malandro homossexual que comandava a vida boêmia na Lapa. O filme recebeu prêmios no Brasil, em Havana, Cartagena e Buenos Aires, dentre outros.

Quase dois irmãos, 2004, de Lúcia Murat, revela o encontro de ex-companheiros de infância que seguiram rumos distintos – um se tornou senador da República e outro chefe do tráfico de drogas numa comunidade carioca. No elenco, Flávio Buraqui e Antonio Pompêo, dentre outros. Do mesmo ano de 2004, Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo, traz um elenco estelar: Ruth de Souza, Léa Garcia, Milton Gonçalves, Taís Araújo, Thalma de Freitas, Rocco Pitanga. Em cena, a história de duas irmãs que após muitos anos se encontram numa pequena cidade mineira onde ainda vivem os fantasmas da escravidão e do racismo.

Longe da ficção e apresentando um artista que está entre os mais importantes da música brasileira, o documentário Paulinho da viola – meu tempo é hoje, 2004, revela a vida simples do artista que é o mais sofisticado do samba. Também na linguagem do documentário e concentrado numa personagem negra, Estamira, 2005, de Marcos Prado, arrebata as plateias por onde passa. Estamira Gomes de Sousa foi uma catadora de lixo do aterro Jardim Gramacho, do Rio de Janeiro que sofria de doença mental. Seu discurso filosófico misturava momentos de extrema lucidez e rasgos de loucura. Foi premiado no Rio de Janeiro, em São Paulo, Marseille, Viena, Havana e transformou-se em espetáculo teatral.

Pouco visto no circuito comercial, Besouro, 2005, de João Daniel Tikhomiroff, recupera para os dias atuais a figura lendária de Besouro Mangangá, que viveu no Recôncavo Baiano, no início do século XX, e é considerado o maior capoeirista de todos os tempos. A Bahia também é palco da comédia musical Ó Paí, Ó, de 2007, direção de Monique Gardenberg, que leva para as telas o clima e o frescor do carnaval baiano, num casarão em pleno Pelourinho de Salvador. E fechando o passeio pelo cinema nacional, o filme mais recente da mostra, A falta que me faz, documentário de 2009, assinado por Marília Rocha, vai à Cordilheira do Espinhaço, em Minas Gerais, para mostrar o cotidiano de quatro meninas. O filme nasceu de uma pesquisa sobre as coletoras de flores de Diamantina.

No sábado, dia 24 de novembro, haverá palestra do professor Rafael Sanzio dos Anjos, graduado em geografia, mestre em planejamento urbano, doutor em informações espaciais e com pós-doutorado em Cartografia Étnica no Museu Real da África Central em Tervuren - Bélgica. Rafael Sanzio dos Anjos é Professor do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília e Diretor do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (CIGA), onde coordena os Projetos Geografia Afro-Brasileira: Educação e Planejamento do Território e Instrumentação Geográfica, Educação Espacial e Dinâmica Territorial e Coordenador também do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UnB e do Centro de Documentação Geográfica Milton Santos (CDGMS).

Suas publicações mais recentes são as seguintes: “Dinâmica Territorial: Cartografia-Modelagem-Monitoramento, 2007″, “Cartografia & Educação - Vol I, 2008″, “Quilombos: Geografia Africana – Cartografia Ética – Territórios Tradicionais, 2009″ e “Territorialidade Quilombola: Fotos & Mapas / Quilombola Territoriality: Photos& Maps, 2011.

Clique aqui para saber mais e conferir a programação completa.

Se eu não chegar a ver, vai nascer de mim quem vem para ver

Por Cidinha da Silva



Eu gostaria de assistir Subúrbia por simples deleite, como assisto Lado a Lado, mas fiquei tão impressionada com as reações negativas, lidas e ouvidas, que me impus a tarefa de analisar a mini-série e destacar o sem-número de boas impressões causadas pela obra em mim. Mas é chato, confesso. Eu quero apenas ser telespectadora, gostar, como gosto, e degustar o que mais me interessa, o texto.Recuso qualquer roteiro didático para acompanhar Subúrbia. O fato de autores, atores e atrizes terem pensado isso ou aquilo no momento da concepção, não garante o resultado performático desejado, ou seja, existe uma grande distância entre pensar a obra e conseguir realizá-la. E todas as pessoas têm o direito de achar o que quiserem! Abaixo a leitura de telepronto que alguns querem impor ao telespectador. Tampouco, desejo criar um roteiro (didático) próprio para amealhar seguidores.

Sou do time de Carlinhos Brown, a poesia é necessidade básica. Quero falar sobre um trabalho de arte que me emociona e traz elementos importantes (e novos) para a teledramaturgia do negro, na verdade, sobre o negro no Brasil, ainda. Tudo isso pelo meu olhar, nada mais!

Não me forçarei a ver o que quer que seja, nem levarei meus discursos prontos sobre as mulheres negras, por mais que os julgue criativos, supostamente consonantes com a tradição (embora, muitas vezes, não passem de aspectos superficiais), para a leitura da telenovela. Cada pessoa venda seu peixe com a técnica que tiver nas mãos, com a linguagem de sedução e convencimento de idéias que tiver conseguido criar ao longo da vida.

São muitos interesses em disputa para “garantir” outras edições da mini-série. Tenho consciência de que Lado a lado conta com atrizes e atores consagrados, com lugar ao sol global garantido, na medida limitada em que artistas negros conseguem ter garantias na profissão, fora das produções chamadas de época e dos papéis de/para negros. Em Subúrbia, Haroldo Costa, ícone da cultura brasileira, é conhecido na TV, entretanto, como grande especialista em samba.

Rosa Marya Colin é uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, porém, muita gente a está descobrindo agora, como Mãe Bia. Triste país, o nosso. Mas, os tais interesses não me roubarão o prazer de assistir Subúrbia e de me deter nos detalhes que me cativarem e me ajudarem no entendimento da construção de um texto primoroso. Clique aqui para ler na íntegra.